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terça-feira, 20 de abril de 2010

Bancos querem aprender a fazer negócios com a Classe C



A maioria das empresas brasileiras se acostumou a vender exclusivamente para as classes A e B. Afinal, há décadas essas eram as únicas famílias que dispunham de algum dinheiro no final do mês, depois de pagar todas as contas. Porém, isso mudou radicalmente nos últimos anos. Embora o grosso do dinheiro ainda esteja nas mãos das classes A e B, a Nova Classe Média já detém 1/3 da massa salarial brasileira. Por isso, vários setores começaram a estudar a fundo o comportamento desses consumidores, que pode ser bem diferente daquele apresentado pelos brasileiros que habitam o topo da pirâmide social. Um desses segmentos é o dos bancos, que encomendou uma pesquisa ao Data Popular para aprender como fazer negócio com a Classe C.

O estudo mostrou que propor poupança ou investimento para a classe média faz pouco sentido, porque para eles investir significa comprar uma roupa nova para uma entrevista de emprego, um computador para ajudar na educação dos filhos, pagar a mensalidade de uma universidade particular e até adquirir uma boa TV de LCD, que permite economizar em passeios externos e mantém os filhos na segurança do lar. O consumo também tem um componente de inclusão social, porque possibilita que tenham acesso a itens que só os ricos possuíam. Nesse cenário, dizer para o consumidor popular que ele não deve comprar para poupar e investir é tarefa inglória, certo? Seria exagero dizer que não existe poupança na classe média, mas ela é em geral apenas uma etapa para viabilizar conquistas mais ambiciosas, como a reforma da casa, compra de um carro ou a chegada de mais um filho. Em resumo, poupa-se para gastar mais depois.

Outro exemplo de descompasso entre a lógica dos bancos e a dos consumidores populares diz respeito ao uso do cartão de crédito. Enquanto o mercado financeiro se preocupa com segurança, clonagem etc, é comum entre as pessoas da classe C o empréstimo do cartão de crédito para familiares e até amigos. A pesquisa do Data Popular mostra que 32% dos brasileiros com alto nível de endividamento costumam usar cartões de parentes e amigos quando estão sem crédito e sem dinheiro.

Para Renato Meirelles, do Data Popular, o principal obstáculo está na diferença entre a lógica societária, adotada pelos bancos, e a lógica comunitária, que rege as relações na classe C e também na baixa renda. Em resumo, o brasileiro médio não entende nem se identifica com a linguagem formal, fria, impessoal e distante adotada pelo mercado financeiro. Para fazer bons negócios com esse novo cliente é preciso envolver emoção, ser mais informal, demonstrar solidariedade, investir em reciprocidade e estar presente no cotidiano dessa gente. Tudo o que os bancos não sabem fazer.

Fonte: Luiz Alberto Marinho, Blue Bus.
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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Classe C vai demandar 10 milhões de imóveis

Projeções da consultoria MB Associados mostram que nova classe média popular vai dominar o mercado imobiliário brasileiro até 2016



A classe média popular vai dominar o mercado residencial brasileiro nos próximos anos, segundo recente estudo da MB Associados. De acordo com as projeções da MB, a classe C, com renda familiar de três a dez salários mínimos, terá uma demanda habitacional potencial por 10,4 milhões de imóveis até 2016.

Sérgio Vale, economista da MB Associados, crê que grande parte da demanda potencial se direcione para a compra de imóveis novos, dada a rápida expansão do crédito imobiliário e o aquecimento desse mercado.

A demanda potencial da classe C é, inclusive, maior que a demanda potencial total de todas as classes, que é de 9,5 milhões até 2016. O fenômeno se explica pela migração prevista, para a classe C, de famílias das classes D e E.

“O foco do setor nos próximos anos têm de ser a classe C, que é uma classe média, e não as classes mais baixas, D e E, que estão diminuindo”, diz vale.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo - 04 de Abril de 2010.
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segunda-feira, 29 de março de 2010

Ibope ressalta importância da classe C

Os principais consumidores de eletrônicos estão na classe C. Esse foi um dos pontos levantados pelo último Pyxis, pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência que apresenta o potencial de consumo do brasileiro em 42 grupos de produtos e por classes sociais em todas as cidades.

"O aumento do poder de compra dessas pessoas é incentivado pelo financiamento e crédito", informou Antônio Carlos Ruótolo, diretor de geonegócios do Instituto. Segundo o estudo os consumidores pertencentes à classe B são responsáveis por 45% das compras em som, TV e vídeo, seguida pela classe C com 32%, A com 16% e D/E com 7%.

As classes A e B representam 32% da população. No entanto, juntas consomem 55% de todos os grupos de produtos que a pesquisa analisa, exceto alimentação, o que corresponde a um consumo três vezes maior do que sua participação na população. Bolsas, malas, cintos e brinquedos são os produtos mais consumidos por eles.

A classe B consome o dobro de seu tamanho e tem preferência por cosméticos, bebidas (água, sucos, refrigerantes, cervejas e vinhos), bolsas, malas, cintos e brinquedos. Já na classe C, cujo consumo é proporcional a sua participação populacional, produtos de mercearia, calçados femininos, vestuário infantil e carnes e derivados são os itens mais procurados.

O estudo ainda revelou o potencial de consumo por região no Brasil. Os únicos setores em que os gastos são iguais para todas as pessoas são alimentação e higiene pessoal, média de R$1.419 e R$232, respectivamente per capita.

O brasileiro tem as maiores diferenças de consumo com bebidas. Na região que mais se consome, o Sudeste, cada pessoa gasta R$131, enquanto na região onde o consumo é menor, o Nordeste, o valor cai para R$47. A média nacional é de R$98.

Outro item com fortes diferenças regionais de consumo são os gastos escolares. A região Norte investe R$77, já na região Sudeste, o gasto sobe para R$340, impulsionado pelas classes A e B. A média nacional corresponde a R$248.

O Estado de São Paulo é o que mais gasta com alimentação domiciliar e com produtos para a casa. Os cariocas consomem mais em bebidas, paranaenses em artigos de limpeza e os gaúchos com medicamentos.

O diretor de geonegócios do Ibope destaca o Distrito Federal como o maior consumidor de todos os 42 grupos de produtos que a pesquisa estuda. “A região centro-oeste é a que tem o crescimento mais expressivo, a expectativa é que se iguale a região sul/suldeste”, disse.

O levantamento permite que conforme o tipo de produto e o perfil da região, as ações de marketing e publicidade sejam direcionadas para o potencial consumidor.

Fonte: AdNews
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